segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sonhos de Domingo a noite...

Acabei de ter um sonho, adivinhem sobre o que? É claro, sonhei que havia morrido, mas nesse sonho, era como se eu não estivesse ido embora, eu estava morto, mas ainda estava ali, como se meu espírito ficasse vagando pela terra, mas ninguém conseguia me ver, quase ninguém, minha esposa era a única que podia me ver e conversar comigo, mas o restante das pessoas não, eu estava ali, eu vi meu velório, vi as flores pretas e brancas sobre meu caixão, o lugar lotado de pessoas, cheio de crianças, as minhas crianças chorando no inicio do velório, mas como todo velório, no decorrer dos minutos eram poucos os que ainda choravam, meus pais minhas irmãs, minha esposa e alguns mais, as crianças já estavam distraídas e voltavam a brincar com as outras, eu vi a pequenina juntando as flores do chão e jogando pra cima como quem cata confetes em uma festa, na inocência dela ela podia voltar a sorrir, ela ainda não sabia o que realmente tinha acontecido, o mais velho estava em seu canto, sentado em uma cadeira, chorando, ele já tinha idéia do que estava se passando, e assim foram se as horas até o momento do enterro, e nesta hora quando levam o caixão, completa-se o terceiro martírio da morte, sendo o primeiro quando é dado a noticia, o segundo quando o corpo chega para ser velado e o terceiro e ultimo quando se despedem do corpo no tumulo, três momentos de sofrimento extremo, e findado esta terceira etapa eu ainda estava ali, vendo tudo e sem poder fazer nada, aquilo pra mim estava só começando, os dias se seguiram e estava em casa, vendo a vida tomar sua nova forma, desta vez sem a minha presença, uma experiência nova para todos, mas aos poucos tudo ia voltando a naturalidade, a vida é assim, chora-se um dia mas no outro devemos levantar a cabeça e seguir em frente, faz parte, mas nesse decorrer da vida eu estava ali e ainda podia conversar com minha esposa, e isto foi pior para ela, ela podia me ver e me ouvir mas sabia que eu estava morto, e o tempo passou e apenas ela carregava este fardo, e eu vi as crianças crescerem , as coisas acontecendo e eu não estava ali, eu nada podia fazer, eu não podia tocá-los, eu vi todos os momentos em que choraram de saudades de mim, e nada pude fazer, digo a todos que este foi o pior sonho que tive até o momento, ver as crianças crescerem e não poder fazer nada e ver minha esposa precisando levar a vida dela em frente e eu ali como um fantasma levando os limites da razão dela ao extremo, não creio em céu e inferno, creio apenas no fim de tudo isso, mas se existisse um inferno este sonho ilustraria bem o qual seria o meu. Foi o sonho de um domingo à noite em que fui dormir mais cedo, lá pelas 22:30h, quando tive este sonho eram apenas 01:30h da madrugada de domingo para segunda-feira, e como é de conhecimento da maioria, e se não era passa a ser neste momento, eu tenho sérios problemas com domingo à noite, algo que me incomoda profundamente deste a infância, esta depressão de domingo sempre foi minha “cruz”, lembro-me muito bem de quando chegavam as tardes de domingos, e apenas as musicas dos programas de televisão daquele horário eram o suficiente para começar meu sofrimento, eram infindáveis horas de tormento até o momento em que o sono chegasse, e aliado a isso, uma insônia fazia também seu papel de prolongar por mais algumas horas esse castigo, o tempo passou, mas ainda hoje carrego esta “cruz”, a diferença é que hoje tenho meus meios de driblar estes domingos mais negros, quando a situação fica insustentável eu tenho de apelar para meus remédios, são a única maneira de poder controlar isto, claro que com o tempo aprendemos alguns truques e “modus operandi” da depressão, sei que domingo tenho que evitar dormir cedo, sempre que faço isso eu tenho pesadelos ou acordo de madrugada sem sono, dormir cedo só com remédios, mas as vezes eu me esqueço e pago o preço por isso, como hoje, em plena duas da madrugada estou aqui escrevendo para tentar aliviar a dor de mais um sonho aterrorizante, talvez seja a pressão pela hora fatídica estar chegando, falta menos de um mês, menos de um mês para me livrar desta maldição que me acompanha também desde a infância, os “vinte e sete anos” foram com certeza o meu maior martírio desta vida, depois que esta idéia de um dia morrer as vinte e sete se materializou, digo materializou pois hoje estou com vinte e sete anos completos e cada dia, cada um dos 365 dias desse ano, não passou e nem passará um dia que eu não pense ao menos um minuto sobre isso, e faltam poucos dias para que minha morte aos vinte e sete se torne verdade, ou que eu volte a ser imortal.